Família seu primeiro time
Filho de Valdir Aparecido Carvalho e Marisa Solange Carvalho e irmão de Daniele, Ana Paula e Gabriele, Anderson Luis de Carvalho, o Nenê, encontrou o apoio necessário nesse "time" para conseguir realizar seu grande sonho: tornar-se jogador de futebol profissional.
Com a mesma velocidade demonstrada hoje em dia nos gramados, Nenê não perdeu tempo e começou rápido. Logo aos seis anos de idade começou a jogar futebol de salão por uma equipe chamada Floresta em sua cidade, Jundiaí, no interior paulista. O menino sonhador já dava sinais que tinha futuro e com sua canhotinha iria longe. Para o próprio Nenê, o fato só poderia ser uma "jogada" de Deus, porque ninguém da sua família jamais jogou ou teve contato com bola.
Do salão ao campo
Após alguns anos atuando no futsal, Nenê recebeu convite para jogar futebol de campo, onde passaria a defender o time da sua cidade disputando torneios regionais. No campo, o início foi um pouco difícil. Com 17 anos de idade, Nenê acreditava que poderia ser tarde. Porém, o jovem estava enganado.
Chegou a terminar o segundo grau, pois ainda não tinha certeza sobre seu futuro.
No entanto, contando com total apoio da família, Nenê não desistia e se dedicava muito para alcançar seu objetivo, já que não necessitava conciliar trabalho com futebol.
Enfim a hora chegou! O sonho daquele menino franzino e já adolescente Nenê parecia estar se concretizando. Aprovado nas chamadas peneiras, foi selecionado para atuar pelo Paulista de Jundiaí.
Do sonho à realidade
Destacando-se nas categorias de base, não demorou muito para passar ao elenco profissional. Em 2000, o técnico do time principal, Luiz Carlos Ferreira, assistiu a um treino dos juniores e, ao ver o futebol de Nenê, não perdeu tempo. Tanto que na noite do mesmo dia Nenê já disputava um jogo-treino pelo profissional, quando marcou dois gols.
Isso bastou para Nenê começar a conquistar seu espaço. Logo foi relacionado para o elenco que disputaria o Campeonato Brasileiro da Série C.
Pronto. A primeira de muitas vitórias que almejava Nenê já tinha conquistado. Afinal, estava jogando no profissional pela equipe de sua cidade.
Sua estréia em uma competição oficial foi no mesmo ano e com uma grande responsabilidade: ajudar o Paulista de Jundiaí a subir para a Série B do futebol brasileiro.
O primeiro jogo ficou guardado em sua memória. Contra o carioca Madureira, Nenê marcou seu primeiro gol como profissional.
No ano seguinte o time do Madureira voltaria ao caminho de Nenê de forma positiva. Afinal, foi contra a equipe carioca que um dos destaques do Etti Jundiaí marcou seu primeiro gol profissionalmente. Foi no dia 15 de setembro, no Estádio Jaime Cintra, na vitória do Etti por 3 a 1.
Apesar do início arrasador, o objetivo não foi alcançado, já que o Paulista não conseguiu subir de divisão.
Dever cumprido
Mas o senso de dever cumprido veio realmente em 2001, e em dose dupla. No primeiro semestre, Nenê foi decisivo na campanha que levou o Paulista de Jundiaí para a Série A-I do Campeonato Paulista. No mesmo ano, outra grande alegria: com o título da Série C do Brasileiro, o clube subia mais um degrau também no futebol nacional.
Campanha do Etti Jundiaí no Paulistão A-2 de 2001
30 jogos
18 vitórias
6 empates
6 derrotas
62 gols pró
30 gols contra
32 saldo de gols
Campanha do Etti Jundiaí no Brasileirão da Série C de 2001
22 jogos
16 vitórias
4 empates
2 derrotas
48 gols pró
18 gols contra
30 saldo de gols
Ascensão na carreira
As boas atuações de Nenê despertaram o interesse de grandes clubes, e após defender o time de Jundiaí entre 2000 e começo de 2002, aquele menino sonhador do início da década de 90 era um dos reforços da Sociedade Esportiva Palmeiras.
No time de Palestra Itália, o meia disputou apenas o Campeonato Brasileiro de 2002, onde viveu momentos contraditórios. Feliz em sua chegada a um time grande, Nenê viveu em sua saída a principal decepção até o momento dentro do futebol: o rebaixamento.
Mesmo sendo um dos poucos jogadores poupados por torcedores e Imprensa, Nenê sentiu muito, e garante ter amadurecido nesses momentos difíceis. "Pra mim foi uma experiência incrível. Com tanta pressão, no geral aprendi bastante e considero que saí mais fortalecido".
Comprovando o fato de ter sido um dos poucos destaques, apesar do acontecido, no começo de 2003 Nenê foi convocado pelo técnico Ricardo Gomes, para defender a Seleção Sub-23 no Torneio do Qatar.
Nessa época, foi o time do Santos que entrou em ação para contar com o talento do jogador. Na equipe da Baixada Santista, Nenê garante ter vivido um momento maravilhoso, já que teve a chance de jogar sua primeira Taça Libertadores da América, fato que deu maior visibilidade ao seu futebol.
Cada vez mais a carreira do meia parecia decolar. Após a conquista do segundo lugar na principal competição sul-americana, o atleta estava realizando outro sonho: atuar no futebol europeu.
Nenê na Europa
Ainda em 2003, Nenê já estava sendo contratado pelos espanhóis do Mallorca.
Aprendendo outra cultura, outros costumes, Nenê amadureceu ainda mais. A mudança dentro de campo também aconteceu, pois aprendeu a marcar mais devido ao estilo diferente que encontrou no Campeonato Espanhol.
Na Europa também disputou uma das principais competições européia, quando jogou seis jogos pela Copa da Uefa em defesa de sua nova equipe.
Recebendo algumas propostas ao término da temporada 2003/2004, inclusive de grandes clubes brasileiros, Nenê queria mesmo permanecer no futebol europeu. Por ainda não possuir passaporte comunitário, teve algumas dificuldades para acertar com tradicionais e importantes equipes da Espanha.
Até que Nenê resolveu aceitar mais um desafio e assinou com o Alavés, com o objetivo de ajudar a equipe azul e branca a conquistar o acesso à Primeira Divisão do futebol espanhol.
No clube do País Basco, província do norte da Espanha, Nenê conquistou a torcida alavesista por seu talento e capacidade não só de finalizar mas de deixar seus companheiros na cara do gol.
Logo em sua primeira temporada, marcou 12 gols e teve participação decisiva na histórica campanha que levou o time de volta à Série A.
Em 2005/2006, foi o único jogador a disputar todas as 38 partidas do Campeonato Espanhol pelo Alavés, além de tornar-se o vice-artilheiro com nove gols marcados e responsável por diversas assistências aproveitadas pelos atacantes da equipe.
Do País Basco para a Galícia
Mesmo com seu clube sendo rebaixado, Nenê se destacou e despertou o interesse de vários clubes de maior tradição no país, como Atlético de Madri, Deportivo La Coruña e Bétis de Sevilha, além do Bordeaux, da França.
No entanto, o Celta de Vigo acabou sendo o destino do jogador. O time de bela camisa celeste da Galícia pagou 4,5 milhões de euros e ainda cedeu em definitivo os direitos do jogador Toni Moral, promissor meio-campista revelado em suas categorias de base.
No final das contas, o Alavés teve um aumento de seu patrimônio da ordem de 6 milhões de euros, o que se constitui na segunda maior transação já realizada pelo clube basco em toda sua história.
Em defesa do Celta, Nenê terá como um de seus companheiros o atacante Fernando Baiano, ex-Corinthians. Além do Campeonato Espanhol e da Copa do Rey, o clube irá participar da Copa da Uefa, que reúne algumas das principais equipes da Europa.
Rumo ao Principado de Mônaco
Depois de quatro temporadas na Espanha, Nenê mudou de ares. No mês de agosto de 2007, após uma disputa com os espanhóis do Getafe e os gregos do Olympiakos, o Mônaco levou a melhor e contratou o meia brasileiro por 7 milhões de euros.
O principal responsável por sua incorporação ao time que disputa o Campeonato Francês foi o técnico Ricardo Gomes, que havia comandado o jogador na Seleção Brasileira Sub 23, em janeiro de 2003.
Bastante motivado com a mudança de clube e de país, Nenê promete uma temporada de muitas vitórias no charmoso Principado de Mônaco, encravado na costa francesa do Mar Mediterrâneo.
Chegada ao PSG
Assim como aconteceu na passagem de Nenê pelos clubes que defendeu, o futebol vistoso e de qualidade demonstrado no Monaco despertou a atenção de outros clubes do futebol europeu. No entanto, quem levou a melhor na aquisição do meia-atacante brasileiro foi justamente o rival da equipe do Principado, o PSG. Nenê chegou ao time de Paris com o status de principal contratação no futebol francês para a temporada 2010/2011.
Não demorou muito para Nenê mostrar que a aposta na sua contratação foi uma decisão acertada, tanto dentro como fora de campo. Principal referência do time para levar o PSG de volta aos títulos, o brasileiro já é o principal artilheiro da equipe na Ligue 1, além de continuar se destacando em uma das suas principais caracterísitcas: as assistências. Fora das quatro linhas o retorno também é garantido. Muito querido pela torcida, a sua camisa é a mais vendida na boutique do clube.
Seguindo nesse ritmo, Nenê tem tudo para entrar na história de um dos mais tradicionais clubes do futebol europeu e seguir o caminho de outros craques brasileiros que também fizeram história no PSG, como Raí e Ronaldinho Gaúcho. O primeiro passo para isso já foi dado, afinal, ele já conquistou a camisa 10 da equipe.












